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Matérias :: Temos de despertar o desejo de moda, diz Paulo Borges

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A moda brasileira tem um nome: Paulo Borges. Idealizador da São Paulo Fashion Week, assumiu em abril o Fashion Rio, até então dirigido por Eloysa Simão. Esta semana foi anunciado que ele comandará também o Rio Summer, evento criado por Nizan Guanaes para mostrar peças de alto-verão. A primeira edição ocorreu em novembro de 2008. A próxima está marcada para outubro de 2010.

Paulo Borges também estará à frente do Rio-à-Porter, bolsa de negócios idealizada por ele para substituir o Fashion Business, até então comandado por Eloysa Simão e que deve ocorrer em maio com o nome Fashion Business Tech. O Rio-à-Porter será realizado em parceria com a Francal Feiras, que tem experiência de 40 anos em eventos desse porte.

Mas por que tantas coisas na mão de uma pessoa só? Paulo Borges, por meio de sua empresa, a Luminosidade, no ano passado se associou ao grupo InBrands, detentor das marcas Ellus, Alexandre Herchcovitch e Isabela Capeto. O grupo também assumiu o Fashion Rio por dez anos e acaba de se associar com o Grupo ABC, de Nizan Guanaes para o evento de alto-verão. 

Em entrevista exclusiva ao Terra. Borges disse como pretende criar uma plataforma de convergência da moda brasileira, trabalhando com os eventos que se complementam entre si. Para o Fashion Rio, já está conversando com grifes de moda praia para lançarem suas coleções no evento carioca, que ocorrerá entre 8 e 13 de janeiro. Também tem voltado seus olhos para marcas de moda masculina.

Ele afirmou ainda que o Rio Summer preenche uma lacuna entre os lançamentos de verão, feitos em junho, e os de inverno, em janeiro. Segundo ele, nesse mês, as lojas já estão liquidando peças da estação quente e é preciso ter algo diferente para oferecer ao consumidor. "Não temos nada de novo para criar desejo de consumo. Moda é isto: desejo! E é isso que temos de trabalhar." Confira abaixo trechos da entrevista feita por e-mail: 

Terra - O senhor acaba de assumir o Rio Summer e dirige SPFW e Fashion Rio. Explique um pouco do DNA de cada um desses eventos. 

Paulo Borges - É uma questão complexa, apesar de saber bem o que temos de fazer no momento. Primeiro, SPFW, Fashion Rio e Rio Summer são complementares, pela sua natureza e pela sua vocação. O SPFW já tem estabelecido seus critérios de evolução e seu desafio está no refinamento da qualidade do design apresentado, isso quer dizer, qualificar cada vez mais o seu conteúdo. O Fashion Rio já tem um mix de grifes de alto valor, porém precisa passar por uma reformulação, o que já está ocorrendo, em seu line-up e na qualificação do seu espaço, tanto do ponto de vista do evento (infraestrutura), como do seu conteúdo. Para isso, estamos trabalhando em processos de curto, médio e longo prazos. De imediato estamos conversando com as grifes de moda praia para todas lançarem suas coleções no Fashion Rio. Isto parece uma medida óbvia, mas a realidade que encontramos é completamente diferente. Outro ponto diz respeito à moda masculina, novos nomes de relevância pela sua criatividade e do negócio. Por último, o Rio Summer, que ainda está num processo inicial, mas que traz na sua concepção e criação a implantação de uma semana de moda para os lançamentos de alto-verão, e isto é inédito no mundo. Poderemos, no médio prazo, transformar o mercado interno e inserir a moda brasileira no cenário global de forma moderna e definitiva e, acima de tudo, competitiva. 

Terra - O senhor mantém a ideia de convergir os desfiles de moda praia para o Fashion Rio? 

PB - Respondi acima, mas complemento esclarecendo o seguinte: hoje lançamos na SPFW e Fashion Rio, coleções de inverno e verão, e com o Rio Summer, temos a oportunidade de introduzir a cultura de alto-verão, o que será muito importante para o país. Pense na situação que vivemos há mais de duas décadas, sempre no mês de janeiro, estamos liquidando as coleções de verão que foram lançadas em junho, entraram no varejo a partir de setembro, e esgotaram sua capacidade de despertar desejo já em dezembro. Porém, quando chega janeiro, que é um mês de férias, alto consumo, alta temperatura, viagens, festas, Carnaval etc., não temos nada de novo para criar desejo de consumo. Moda é isto: desejo! E é isto que temos de trabalhar. Por isso acredito na sinergia e na convergência. 

Terra - O que acha que deve mudar no formato do Rio Summer, que teve apenas uma edição, em novembro de 2008? 

PB - Assisti apenas a um dia do evento. Estamos discutindo com nossa equipe a próxima edição, mas o importante não é o que vai mudar e, sim, a sinergia e convergência que hoje será criada entre os eventos de moda. 

Terra - Por que o Rio Summer não será feito este ano, mas apenas em outubro de 2010? 

PB - Quando fechamos a operação societária, esta decisão já estava tomada, e me parece correta, para que se possa organizar da melhor maneira o projeto. 

Terra - Durante o Fashion Rio, o senhor havia dito que seria formada uma comissão de estilistas e outras pessoas ligadas à área para definir ajustes, ou convergências, para Fashion Rio e SPFW. Esta comissão já foi criada? Como andam os trabalhos? 

PB - Já definimos quem convidaremos e estamos neste momento iniciando só convites. Hoje este comitê se faz ainda mais necessário. 

Terra - O que será exatamente a bolsa de negócios Rio-à-Porter? Qual a diferença principal do Fashion Business?

PB - As diferenças estão no DNA da gestão e do projeto de moda para o país. 

Terra - O Brasil está preparado para exportar moda em relação a volume, qualidade e tendência? 

PB - Estamos aprendendo a nos organizar para isso. É um projeto que tem de ser visto com objetivos de longo prazo. 

Terra - Qual o grande diferencial do Brasil para se impor frente ao mercado internacional de moda? 

PB - Competitividade, criatividade, qualidade, agilidade, flexibilidade. Pode parecer genérico, mas são metas muito objetivas e concretas. 

Terra - A moda brasileira ainda precisa crescer no mercado interno para enfrentar o mercado externo ou as duas coisas podem caminhar juntas? 

PB - Os dois mercados caminham juntos. Um não existirá sem o outro, principalmente para o Brasil. Aliás, foi nosso mercado interno que nos blindou desta crise mundial. 

Terra - Qual o grande obstáculo ainda a superar na cadeia de moda brasileira?

PB - A falta de conhecimento e o excesso de preconceito que ainda existe nos governos brasileiros. Em todas as esferas. Quando eles descobrirem o potencial da indústria da moda e sua capacidade inclusiva e de transformação, este país crescerá a passos largos. 

Terra - São Paulo foi eleita a 8ª cidade no ranking de capitais da moda no mundo recentemente, e o Rio, 17ª. A que você atribui esse reconhecimento de São Paulo e do Rio? 

PB - Ao trabalho de todos que estão envolvidos com o desenvolvimento da cultura de moda para o Brasil. 

 

Fonte: Terra Moda

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http://modaforyou.wordpress.com/

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Classificação:   Visualizaçõoes: 668

Publicada por: Pedro Henrique de M. Rodrigues, em: 10/09/2009 10:37:40

Foto de: Pedro Henrique de M. Rodrigues Estudante de Ciência da Computação pela Universidade Federal de Goiás. Estou sempre buscando coisas novas. Sou evangélico e cooperador da Igreja Apostólica Fonte da Vida. - ver perfil completo do autor

Comentários (1)

  • Alexandre Taleb (10/09/2009 11:34:07)

    Temos que olhar mais para o Brasil, primeiramente crescer dentro para depois querer concorrer fora. Abs

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