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Uma das poucas empresas de luxo a não sucumbir à diversificação de suas linhas de produtos, a Rolex encerrou 2008- ano de comemoração de seu centenário - inaugurando uma nova administração. Depois de ficar quase meio século no comando da marca, a família Heiniger passou o bastão a seu ex-diretor financeiro Bruno Méier, que no início de 2009 tornou-se o novo CEO da grife relojoeira. O posto foi ocupado anteriormente por - Patrick Heiniger, André Heiniger, pai de Patrick e principal braço direito de Hans Wilsdorf, fundador da empresa- por mais de 10 anos, e o próprio criador da marca. Antes de passar o bastão, entretanto, Patrick Heiniger, que há cerca de dois anos deu início a um processo de expansão da marca com lojas próprias, fez um último movimento que marcaria, definitivamente, sua passagem pela empresa. Em setembro do ano passado, inaugurou a primeira loja Rolex na Place Vendôme, em Paris. Endereço que há mais de cem anos encerra em seu quadrilátero as maiores joalherias do mundo como Cartier, Boucheron, Vans Cleef & Arpels, Chaumet, Dior e Chanel Joaillerie.
Localizada no imóvel do século 18 que abriga o Hotel de Villemaré, a nova loja de 400 metros quadrados conta com três andares decorados com muito mármore verde, madeira e detalhes em bronze, que harmonizam com paredes e sofás bege. Identidade visual que se repete nas demais boutiques da marca na França, Itália e Brasil, onde a grife abriu seu primeiro ponto-de-venda próprio em 2008, no shopping Cidade Jardim, em São Paulo. HistóriaNascido na região da Bavária, na Alemanha, em 1881, o fundador da Rolex, Hans Wilsdorf, teve seu primeiro contato com o mundo da relojoaria aos 17 anos, quando foi trabalhar como auxiliar e tradutor na Cuno-Korten, fábrica de relógios de bolso, na Suíça. O fascínio pelos mecanismos foi tanto que, poucos anos depois, ele abria com a ajuda do cunhado, Alfred Davis, sua própria empresa. Nascia em Londres a Wilsdorf & Davis, especializada na distribuição de peças de relojoaria suíça e na montagem de relógios de pulso que, feitos com pequenos mecanismos, começaram a se destacar por sua precisão, elegância e durabilidade. Características até então pouco usuais nesse segmento.Em 1908, com a necessidade de ter um nome de fácil pronúncia em toda a Europa e curto o suficiente para grafar nas peças, surgia a marca Rolex. Palavra sem significação em si, mas destinada a designar “simplesmente o melhor”. Promessa mantida por Wilsdorf em diferentes ocasiões, a começar pela conquista da primeira certificação de cronômetro para um relógio de pulso. Em 1926, já com sede em Genebra – para onde se mudou em 1919 para fugir do aumento das taxas de importação no pós-guerra -, a empresa desenvolve o que viria a ser uma de suas grandes obras-primas: o Rolex Oyster, primeiro relógio a prova d’água fechado hermeticamente. Feito que ganhou grande destaque nos principais jornais da época ao ser testado pela nadadora Mercedes Gleitze durante a travessia do Canal da Mancha.
Cinco anos depois, a marca lança sua segunda maior invenção: o rotor “perpétuo”, que aproveita os movimentos do pulso do usuário e a ação da gravidade para acionar um mecanismo que dá corda ao relógio. Em 1945, os mostradores começaram a exibir dia e mês. Complicação que, onze anos mais tarde, também incluiria o mostrador de dias da semana, e se uniria às mais de 700 patentes registradas por Wilsdorf ao longo da vida.Mas não foi só a tecnologia e as inovações mecânicas da marca que conquistaram o público mais exigente. O cuidado com a elaboração de cada peça, feitas com materiais nobres como o ouro e o aço inoxidável, também foi fundamental. Esculpidos manualmente, com ângulos arredondados e polidos até brilhar, cada componente dos cerca de 650 mil relógios Rolex produzidos anualmente passam pelas mãos e olhos atentos de mais de 200 artesãos e técnicos até serem aprovados. Caso do Oyster Perpetual “Lady Datejust Pearlmaster”, feito em ouro amarelo 18k, aro com brilhantes e vidro de safira.
Assim, não por acaso, o Rolex passou a ser um dos relógios mais desejados em todo o mundo, tendo sido eleito o preferido dos pilotos da Real Força Aérea britânica, na Segunda Guerra Mundial. Graças ao status e a credibilidade adquiridos nesse período, a empresa conseguiu passar quase incólume pela crise ocorrida no setor no fim dos anos 60, com o advento dos relógios de quartzo. Com tecnologia digital e baixo custo, os japoneses colocaram a relojoaria artesanal suíça em xeque, tendo sobrevivido apenas algumas das marcas de maior prestígio, como Longines, Tissot, Rado e Omega, que se mantiveram firmes a suas tradições.
Em meados dos anos 90, a empresa decidiu verticalizar sua produção para ter total controle sobre cada micropeça utilizado na montagem de cada um dos 170 modelos que fazem parte de seu portfólio. O movimento, concluído em 2006, só serviu para fortalecer ainda mais a marca, que hoje emprega cerca de 8-mil pessoas e está avaliada em torno de US$ 5 bilhões. Uma das poucas casas desse segmento a não pertencer a um conglomerado de luxo, a Rolex, é administrada pela Fundação Hans Wilsdorf.
Alexandre Taleb é Consultor de Imagem (Personal Stylist), é membro da AICI a maior associação de consultores de imagem no Mundo. Assessora indivíduos e empresas em como atingir autenticidade, credibilidade e... - ver perfil completo do autor
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