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Os sapatos feitos no Brasil ganham cada vez mais toques de design ousado e começam a se tornar indispensáveis em território nacional. Sem falar em crise, o setor de varejo sapatos e acessórios projeta grandes números e muito estilo para 2010.
O consumidor brasileiro – ou seria, a brasileira? – compra, em média, 3,5 pares de sapatos por ano. Toda a produção calçadista nacional, que em 2009 chegou a 725 milhões de pares, só aumenta e cerca de 80% dela é destinada a abastecer o público interno. Neste ano, a projeção de crescimento das vendas no país é maior, assim como a expectativa para as exportações. Se a crise financeira e a valorização do real frente ao dólar prejudicaram o envio de mercadorias para outros países em 2009, a promessa para a nova década é a crescente procura por calçados com maior valor adicional, como os pares cheios de design feitos no Brasil.
Em 2009, São Paulo ingressou na lista das dez mais importantes capitais da moda no mundo. Uma pesquisa feita pelo Global Language Monitor, grupo norte-americano sem fins lucrativos que rastreia a frequência de palavras e frases na mídia, na internet e na “blogosfera”, levantou o dado. A informação apenas confirma que o País se torna, cada vez mais, uma potência não só em estilo, mas em negócios relacionados ao design. Com vários representantes brasileiros nas semanas de moda de Nova Iorque, Paris e Londres, o Made in Brazil ganha ainda mais a simpatia e os olhares do resto do mundo.
E é esse caráter – com trabalho de marca, design e variedade – que qualifica o produto nacional frente ao do atual líder na produção e exportação de calçados no mundo: a Ásia. Conforme a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), nos últimos anos, a exportação de marcas próprias aumentou consideravelmente aqui. Anteriormente, as vendas para o mercado externo se resumiam ao que eles chamam de private label, que é o sapato fabricado e desenvolvido a pedido de uma marca estrangeira. O que vendemos agora é moda mesmo.
Boom dos acessórios
Sandro Fração, franqueado da marca de calçados e acessórios femininos Arezzo em Porto Alegre e região metropolitana há três anos, conhece muito bem o funcionamento do setor e assistiu a bolha explodir. Em 2007, quando se tornou o maior responsável pelas vendas da marca no Rio Grande do Sul, tinha apenas três lojas. “A partir do primeiro ano, nós já vimos que era possível iniciar uma expansão da franquia. Adquirimos um ponto no Barra Shopping e, nesse meio tempo, surgiu uma oportunidade no Canoas Shopping e nós abraçamos”, relembra. A sexta loja da marca foi aberta em dezembro do ano passado apenas para a temporada de verão no litoral gaúcho: uma pop up store temporária no balneário de Xangri-Lá.
Depois de três anos de franquia e de dobrar o número de pontos de venda sob sua responsabilidade, Fração não se intimida e confirma os números que revelam o crescimento do setor, principalmente no mercado interno: “Os acessórios – produtos que são agregados ao look, como bolsas, cintos, bijuterias, relógios e óculos, por exemplo – vêm tendo uma progressão no percentual de vendas dentro das lojas e a Arezzo está investindo cada vez mais nesse sentido”.
Os números da marca não só acompanham o crescimento, mas ultrapassam a expectativa do setror para 2010. Enquanto o segmento calçadista pretende crescer 6% em vendas, as franquias Arezzo de Porto Alegre, por exemplo, têm uma projeção de alcançar entre 10% e 15% até o fim do ano.
O franqueado gaúcho da marca busca reforçar em seus clientes o valor do design do produto, aposta na disponibilidade e também no atendimento. Os vendedores são treinados para identificar os desejos das clientes para chegar lá. Sua equipe está apta a ajudar as mulheres na composição de seus looks com sapatos, bolsas e acessórios. Como no layout da Arezzo tudo fica no mesmo ambiente, a compra casada, de mais de um item, é incentivada. Além disso, Sandro destaca o caráter precursor que a marca tem, “por desenvolver no Brasil produtos diferenciados e de vanguarda, ou seja, realmente o que é o state of the art do calçado”.
No mercado interno, a diversidade de marcas de sapatos sempre existiu. Agora, começa a crescer a diversidade do setor de acessórios. Hoje, o Brasil é o terceiro maior fabricante mundial de calçados e cerca 80% de tudo o que é produzido fica em território nacional. Além disso, o mais completo cluster (montante de profissionais) calçadistas do mundo é tupiniquim: existem no País cerca de 1.500 grandes, médias e pequenas indústrias de calçados e mais 5 mil microempresas e ateliês. Completam ainda a cadeia mais de 2 mil indústrias de componentes para couro e calçado, indústrias de máquinas e equipamentos.
Campeão de sapataria
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