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Transformar a roupa em uma jóia. Com esse conceito, um grupo de empresários integrantes do Projeto Moda Feminina de Goiânia, coordenado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae em Goiás), incorporou às peças que levará para o Fashion Business Rio toda a riqueza, o misticismo e a energia da esmeralda.
O Fashion Business, realizado simultaneamente com o Fashion Rio, é o maior evento de negócios da moda brasileira e será realizado de 4 a 7 de junho, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro (RJ). Na edição de janeiro, onde 80 expositores de 200 marcas apresentaram a coleção Outono-Inverno, o encontro atraiu 9.000 visitantes de 24 estados brasileiros, além de compradores de 30 países, gerando negócios de R$ 332 milhões no mercado interno e US$ 14 milhões em exportações.
Esta é a sexta vez em que o grupo denominado de Moda Goiás participa do Fashion Business. Em 2006, o tema escolhido foi a cidade de Goiás, que teve seus ícones, personagens, arquitetura e cultura representados nas peças criadas pelos designers goianos. A escolha do tema desta nova coleção, ‘Esmeralda e o lixo nosso de cada dia’, explica Cássia Corsatto, gestora do projeto, veio ao encontro de uma determinação do Sistema Sebrae, que orientou os pólos de confecção que apóia no País a valorizar os aspectos ecológico e a ética no ambiente de trabalho.
Para a designer Suely Calafiori, uma das coordenadoras do grupo, a moda tem de acompanhar a linguagem do tempo. “E é tempo de se pensar no ecologicamente correto, em uma moda despretensiosa, jovem, moderna, trabalhada, funcional, com estilo e com expressão de sentimentos”. Suely explica que estes sentimentos foram materializados através da magia das formas e cores da esmeralda, pedra encontrada em abundância na cidade de Campos Verdes, a 294km ao Norte de Goiânia. “Utilizamos os resíduos da extração de esmeraldas, que seriam jogados ao lixo, e aplicamos nas peças, criando um encanto único”.
Brilho natural
O Estado de Goiás é fonte de diversas riquezas minerais e possui, em seu subsolo, dezenas de pedras preciosas e semipreciosas, como esmeralda, ametista e ágatas. “A moda tem reverenciado, de forma tentadora e inovadora, essas pedras, valorizando nosso patrimônio cultural e nossos recursos naturais”, conclui Suely, justificando a inspiração da Coleção Moda Goiás.
Participarão desta edição do Fashion Business seis empresas goianas: Ferro de Brasa (denin), Canal 10 (casual em malha e tecido plano), Pistacce (casualwear em malha e tecido plano), MQuel (moda jovem em tecido plano e malha), Ponto Trançado (tricô), Roch Design (acessórios com material reciclado). Ao todo são 70 looks e o mix de produtos inclui coletes esportivos, macacão, jardineira, short e mini-short, bermuda, camisa esportiva, vestido, macaquinho, calça, saia, regata e terninho. Os tecidos escolhidos foram malha de bambu, viscolycra, cetim, tafetá, malha de algodão, denin, algodão, tricô.
A novidade da coleção fica por conta dos bordados e as mandalas confeccionadas com material reciclado e pedras de esmeralda. O estande Moda Goiás também foi decorado com pedras semipreciosas, dando um brilho especial à coleção. Cássia Corsatto acredita que o Fashion Business, além de dar visibilidade à moda goiana, coloca a moda produzida em Goiás em um estágio superior, deixando de ser apenas produtor de confecção para se transformar em referência nacional em design, estilo e tendência. Quanto ao trabalho do Moda Goiás, ela ressalta o amadurecimento das empresárias como o ponto mais positivo. “A cooperação reduz custos, otimiza as ações e mostra que a parceria, quando bem costurada, transforma o sucesso em um bem comum”, explica.
Pedras no caminho
Uma das maiores jazidas de esmeraldas de todo o mundo foi descoberta por acaso. Em 1981, o operador de máquinas Diolino Gonçalves estava recuperando uma estrada rural quando percebeu uma grande quantidade de pedras verdes e brilhantes misturadas à terra. Após análise, constatou-se a existência do afloramento de uma jazida. E, como acontece em todas as regiões garimpeiras, de uma hora para outra, a chamada Reserva Garimpeira de Santa Teresinha atraiu milhares de aventureiros de todo o país. Em 1986, auge do garimpo, a reserva chegou a contar com 27 mil habitantes, fato preponderante para a emancipação política de Campos Verdes, em 1988.
Ao longo da década de 90 o garimpo de Campos Verdes rendeu muitas histórias e atraiu uma legião de trabalhadores braçais, na sua maioria nordestinos, mas a falta de estudos técnicos, qualificação profissional e de equipamentos adequados colocou por terra o sonho do eldorado. A esmeralda começou a desaparecer e, com ela, os aventureiros. No começo de 2001, os moradores fixos reduziram-se a 7.012. De um próspero principado, Campos Verdes começou a freqüentar páginas de jornal como o retrato fiel da decadência econômica. O comércio dizimou-se, o desemprego atingiu índices de países à beira do abismo e os problemas sociais chegaram a pontos críticos.
Inconformado com a situação, o farmacêutico Haroldo Naves foi eleito prefeito no ano de 2000, bem no auge da decadência do município. Quando tomou posse, em janeiro de 2001, Haroldo iniciou um tratamento intensivo na cidade, receitando altas doses de empreendedorismo e planejamento.
A fórmula ganhou nome de Programa de Desenvolvimento Sustentável de Campos Verdes. Contando com cinco princípios básicos, o programa teve como principal reagente o levantamento geológico da reserva, seguido da criação de um centro de lapidação e artesanato mineral, da implantação de um centro de geo-treinamento, da estruturação da cadeia produtiva e da exploração do turismo mineral.
Um estudo geológico comprovou que a reserva de esmeraldas ainda estava praticamente intacta e, sem dúvida, uma das maiores de todo o mundo. De posse dos documentos que comprovaram o potencial da reserva, Haroldo incentivou investidores da iniciativa privada, pois as esmeraldas, de acordo com o mapeamento geológico, estavam a até 400 metros de profundidade, necessitando de maquinário específico para sua extração. De imediato foram reativadas 29 minas das 40 existentes no auge na exploração. Esta ação rendeu a Haroldo Naves o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor em 2001.
Fonte: http://www.sebraego.com.br/site/site.do?idArtigo=2584 acessado às 19:00 29/01/2008
Estudante de Ciência da Computação pela Universidade Federal de Goiás.
Estou sempre buscando coisas novas. Sou evangélico e cooperador da Igreja Apostólica Fonte da Vida. - ver perfil completo do autor
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