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Carmem Miranda chegou ao Brasil em setembro de 1909 com a família vinda de Portugal após um crime político da época, o assassinato do rei de Portugal. E logo se tornou uma brasileira de raiz, criada na lapa de Sinhô. Enfocamos aqui a brasilidade tão estimada pela mesma direcionando então esta primeira parte de seu contexto ao Brasil e sua cultura.
Assim que entrou na cena musical brasileira em meados de 1929 ela conheceu Josué De Barro se e este a apresentou as gravadoras bastante cita o momento do encontro como algo mágico de pura energia. "Como se estivessem fascinadas pelo violão que eu levava, suas palavras foram ganhando ritmo, foram se transformando em música e eu me lembro de seus gestos, de suas mãos, de seus dedos, agitando-se no ar como que impelidos por uma corrente elétrica."
O Brasil neste momento histórico tinha uma evolução fonográfica a todo vapor sendo que as gravações eletrônicas a pouco mudara o rumo dos artistas da musica e co-participa das novas elaborações para a questão do vínculo social. Para (ORTHIZ, 1999) essa é uma linha de força social de com penetrante impacto sobre as referências da identidade nacional e mesmo sobre planos identitários e outros, como é o caso da cultura popular.
A política vivia o Brasil republica e estava preste a conhecer uma revolução político-social com o presidente Vargas. A ameaça de guerra na Europa mexe com o Brasil, e Carmen é a favorita de Getúlio Vargas, um líder nacionalista que celebra um novo Brasil, como muitas das músicas cantadas por Carmen.
Nos contornos dos arranjos sócio-estruturais, dispositivos específicos de integração contracenam com a tendência de expansão e consolidação da hegemonia das indústrias culturais e do mercado cultural como instâncias legítimas e dominantes de consagração, veiculação e distribuição dos bens simbólicos na dimensão inter social.
Segundo sua discografia durante os dez anos de sua carreira na América do Sul, Carmen Miranda cantou as coisas do Brasil, em batuque, canção de roda, canção-toada, cançoneta cômica, cateretê, cena carioca, cena típica baiana, chorinho, choro, choro receita, fox canção, foxtrote, lundu, macumba, marcha-canção, marcha carnavalesca, marcha-frevo, marcha mistura, marcha protesto, marchinha, marchinha can-can dentre outros ritmos mostrando assim sua versatilidade eminente.
A elegantíssima baiana estilizada surge em 1938, no filme Banana da terra, ilustrando o samba típico baiano “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymmi. ele foi o jovem — mais baianíssimo — compositor que ensinou a Carmen Miranda o traje, os adereços e os meneios de mãos e se tornaram um ícone mundial.
A figura de Carmem Miranda constitui uma tipificação que constrange o delineamento dos tipos de inserção das habilidades culturais na imagem da cidade e do país, já que, a partir dela, consagra-se os canais pelos quais o samba é transfigurado, na cena carnavalesca, como ícone turístico telúrico e tropical, incorporado à memória visual, auditiva e audiovisual da cultura popular de massas, tanto pelos espetáculos nos cassinos e pelo cinema quanto em razão do trânsito no mercado fonográfico e nas mídias radiofônica do Brasil.
Fonte: GARCIA, Tânia da Costa. O "it verde e amarelo" de Carmen Miranda. Annablume, 2004
ORTIZ, Renato. Um outro território. São Paulo: Olho d’Água, 1999.
TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo:Editora 34, 1998
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