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Matérias :: A arte do design,a arte e o design, a arte no design

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Minha ideia inicial de compilar, em um só post, considerações sobre Abstract: The Art of Design não faz sentido: a série documental é riquíssima, e cada episódio traz um novo questionamento e muito assunto. Uma das questões relaciona-se ao seu próprio nome, e o depoimento do designer Tinker Hatfield, no segundo episódio, é um ótimo ponto de partida para levantar este debate: design é arte?

Existe arte envolvida no design. Mas não acho que seja arte. Na minha percepção, arte é a maior autoexpressão do indivíduo criativo. Para mim, como designer, o maior objetivo não é a autoexpressão. Meu objetivo é solucionar um problema para outra pessoa e espero que fique ótimo para ela. E bonito“.

Antes de desenhar os tênis da Nike, Tinker Hatfield foi atleta e graduou-se em arquitetura. Uma lesão física e sua vivência como atleta, o fizeram pensar desde o início da carreira em questões ergonômicas ligadas ao design dos tênis projetados para esportistas. Porém, muito mais que atender a uma necessidade (ou prever uma demanda do futuro), Hatfield acredita que transmitir uma mensagem é parte de um bom trabalho: “um design básico é funcional, mas um ótimo passa uma mensagem“.

Ao longo do documentário fica muito claro que tanto os famosos tênis da linha Michael Jordan quanto outros modelos desenvolvidos pelo designer, são resultado da combinação entre suas experiências de vida, referências e pesquisas. A arquitetura do Centro Georges Pompidou, em Paris, onde “todos os mecanismos internos ficam do lado de fora” foi uma inspiração pata deixar as cápsulas de ar à mostra através de um recorte na sola do tênis Nike Air Max, por exemplo. Não poderia ser diferente.

Qualquer produto criativo é efeito do seu criador, ou seja, a “autoexpressão do indivíduo criativo” (você que é da área, e você que está assistindo Abstract, já sabem disso). Jamais esqueço de uma exposição que visitei no MASP em 2009 cujo tema era autorretrato, e trago essa lembrança pois ela tem tudo a ver com o tema. A mostra tinha como objetivo mostrar diferentes tipos de autorretrato através do tempo: do literal, onde o artista representava de forma realista seu próprio rosto, passando pelos retratos distorcidos seguindo determinadas correntes artísticas, até obras onde não havia nenhum rosto, mas que não deixava de ser uma autoexpressão.

Com o passar dos anos concluí que qualquer obra (e aqui já deixo, sem querer, registrado que considero o design, quando “bem resolvido”, uma arte), seja ela um quadro, uma cadeira ou uma roupa, é um autorretrato. Nossos trabalhos são construídos a partir de anotações, desenhos aleatórios, viagens que fizemos, lugares em que estivemos, experiências e referências que de forma inconsciente trasportam-se para o papel, para um móvel ou para determinada combinação de tecidos e cores.

Aprender uma técnica ou estudar aspectos funcionais leva a um design básico e funcional, mas o ótimo, como bem pontuou Tinker Hatfield, é um “processo inconsciente” que “pode levar a algo” e transmite a autoexpressão do designer, sua visão do tema trabalhado para o mundo. O mais fantástico é que cada indivíduo que entra em contato com a mensagem a interpreta de uma forma e o objeto passa a ter um significado diferente e desperta (ou não) múltiplas emoções dependendo de quem o vê. E elas nunca serão as mesmas. É ou não é arte? A resposta também é consequência do seu repertório.

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Publicada por: Ivy Lemes de Godoi, em: 16/05/2017 15:39:40

Foto de: Ivy Lemes de Godoi - ver perfil completo da autora

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